Sem vagas, sem clientes

Nos últimos anos, atrair e fidelizar clientes para as lojas físicas têm se tornado cada vez mais difícil, especialmente para as lojas de rua. Nem sempre uma boa oferta leva o consumidor às compras, é preciso oferecer outros atrativos, inclusive vagas para o cliente estacionar.

De acordo com a pesquisa “Impactos da Mobilidade Urbana no Varejo”, realizada pela CNDL/SPC Brasil, acessibilidade, segurança para o pedestre e estacionamento são critérios importantes para a escolha do local de compra.

A pesquisa CNDL/SPC constatou que no quesito deslocamento, considerando os entrevistados que possuem carros e motos, 72% afirmaram que um estacionamento próximo de uma loja contribui para a decisão de frequentá-la. O estacionamento próprio influencia a decisão de 66% dos consultados. Além disso, 48% evitam fazer compras em locais com estacionamento pago ou rotativo e 38% já deixaram de comprar algo por não conseguir estacionar perto do comércio.

O presidente da CDL CG – Câmara de Dirigente Lojista de Campo Grande, Adelaido Vila, pontuou que na área central da Capital, por conta da questão com a Flexpark, e das obras dos últimos anos, as vagas para os consumidores diminuíram muito, fazendo com eles se afastem da região. “Sem vagas de estacionamento, os clientes não vão até as lojas comprar, por isso estamos lançando uma campanha de conscientização para que lojistas e funcionários deixem os espaços vagos na frente das suas empresas, pois os consumidores ocupam essas vagas por pouco tempo, fazendo com que haja rotatividade”.

Adelaido lembrou ainda que os estacionamentos particulares da região precisam acompanhar o movimento de clientes. “Temos conversado com esses locais para que permaneçam por mais tempo abertos, para que os clientes possam fazer suas compras com mais tranquilidade”.

Avaliando o aspecto da acessibilidade, a pesquisa constatou que 77% dos entrevistados acreditam que é primordial que as lojas se preocupem com o acesso de clientes com necessidades especiais; 51% sempre ou quase sempre costumam fazer compras em locais em que há acessibilidade para pedestres, ciclistas e passageiros de coletivos/metrô. Além disso, 45% não costumam frequentar lojas e centros comerciais cujo trajeto tem condições de trânsito ruins, e 37% não fazem compras em lojas que não possuem fácil acesso de transporte público.

Na dimensão da segurança, sete em cada dez afirmaram que sempre ou quase sempre a segurança do estabelecimento é um fator levado em consideração na hora das compras (70%). E a segurança não diz respeito somente à violência, mas também a integridade física do cliente. De acordo com o levantamento, 44% evitam circular em locais onde não há espaço para a travessia de pedestres.

Considerando todos os entrevistados, 49% já deixaram de comprar algo por não ter ânimo de enfrentar o transporte público, e 41% levam em consideração o preço da passagem para decidir o local das compras.